Mais uma contra o glúten: dieta rica na substância na gravidez eleva risco de diabetes na criança


A herança genética e fatores ambientais como infecções virais são algumas possíveis causas do diabetes tipo 1.

Mas parece que os hábitos alimentares da mãe durante a gravidez podem ter um papel importante no surgimento da doença, é o que sugere um recente estudo realizado pelo Instituto Bartholin, em Copenhague, na Dinamarca.

Segundo a pesquisa, quanto mais glúten a mulher consome durante a gravidez, maior é a probabilidade de o filho dela desenvolver diabetes tipo 1.

O risco aumenta proporcionalmente à ingestão de glúten: os filhos das mulheres cujo consumo de glúten foi mais alto foram duas vezes mais propensos a desenvolver diabetes tipo 1, em comparação com os filhos das mulheres que consumiram a menor quantidade de glúten (o glúten é um tipo de proteína encontrada em grãos como trigo, centeio e cevada).

“Temos visto em experiências com animais que uma dieta sem glúten durante a gravidez protegeu os filhos do diabetes, e queríamos ver se poderíamos provar o mesmo padrão em humanos”, diz o coautor do estudo, Knud Josefsen, médico, PhD, pesquisador sênior no Instituto Bartholin, em Copenhague, na Dinamarca.

Para vocês entenderem melhor, o diabetes tipo 1 acontece quando a produção de insulina do pâncreas é insuficiente, pois suas células sofrem de destruição autoimune.

Por causa de um “defeito” do sistema imunológico, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, fazendo com que os anticorpos ataquem as células que produzem esse hormônio.

A insulina é que regula o açúcar no sangue e permite que seu corpo use o açúcar dos carboidratos para produzir energia ou armazená-lo para uso futuro.

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Sem essa regulação e armazenamento, o açúcar no sangue pode se acumular na corrente sanguínea, o que poderia levar a uma emergência médica chamada cetoacidose, coma diabético ou morte se não fosse tratada.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e, o diabetes tipo 1 geralmente é diagnosticado em crianças, adolescentes e adultos jovens.

No Brasil, há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população.

Desse total, entre 5% e 10% são diagnosticados com o tipo 1, revela a Sociedade Brasileira de Diabetes.


Para o estudo, foram usados dados da Corte Nacional Dinamarquesa de Nascimentos, usando informações sobre mulheres dinamarquesas matriculadas entre 1996 e 2002.

As quase 64.000 mulheres que participaram preencheram um questionário de frequência alimentar de 360 ​​itens na semana 25 da gravidez.

Fatores como idade, massa corporal antes da gravidez, status socioeconômico e ingestão total de calorias também foram avaliados.

Depois de cerca de 15 anos, 247 crianças das mulheres inscritas foram diagnosticadas com diabetes tipo 1.

Os filhos de mães que consumiram 7 gramas (g) ou menos de glúten por dia (o grupo mais baixo) tiveram uma chance de 0,3% de desenvolver diabetes tipo 1 em comparação com 0,53% dos filhos de mulheres no grupo com maior glúten, que estavam comendo pelo menos 20g de glúten por dia.

 

Importante saber que uma fatia de pão de trigo tem cerca de 3 gramas de glúten.

Os resultados sugerem uma tendência de aumento do risco, afirma o médico Alessio Fasano, de Boston, professor da Harvard Medical School e chefe de divisão de gastroenterologia pediátrica e nutrição do MassGeneral Hospital for Children, em Boston.

Mas ele alerta sobre a necessidade de mais estudos sobre o assunto.

“A única maneira de provar uma relação de causa e efeito é realizar estudos prospectivos nos quais o glúten é limitado durante a gravidez sob estrita supervisão de um nutricionista e, em seguida, deve ser verificado se a incidência de diabetes tipo 1 nos filhos das mães participantes diminuiu”.

É importante dizer que a ingestão diária de 20g ou mais de glúten (que foi considerado o grupo de maior risco no estudo) é a norma para muitos países do Mediterrâneo, incluindo Itália e Grécia, diz Fasano, mas a frequência do diabetes tipo 1 nestas populações certamente não é maior do que na Dinamarca ou, definitivamente, inferior à prevalência relatada na Escandinávia, onde a ingestão de glúten é relativamente limitada.

Atenção: não está claro como o glúten pode contribuir para o aumento do risco de diabetes tipo 1, e eliminar radicalmente a proteína da dieta pré-natal pode levar a consequências negativas para a saúde, diz doutor Josefsen.

“O glúten é uma molécula bastante insolúvel que é difícil de digerir, deixando fragmentos da proteína no intestino”, diz ele.

“Vimos que esses fragmentos são absorvidos rapidamente pelo intestino e entram na circulação. Acreditamos que tais fragmentos possam induzir uma inflamação de baixo nível que pode eventualmente contribuir para uma imunidade mais específica contra as células betaprodutoras de insulina”.

No diabetes tipo 1, a inflamação crônica leva à eliminação das células beta, o que resulta em deficiência de insulina e açúcar elevado no sangue.

Este blog de notícias sobre tratamentos naturais não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.